Secretário da Segurança Pública apoia criação de um fundo assistencial para agentes da segurança atingidos por ações do crime organizado

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De costas para a crise: enquanto faltam soldados, governo contrata mais oficiais
23/04/2018

Ao alegar a crise financeira no Estado e anunciar cortes de gastos, o governo mostra um grande contrassenso entre o seu discurso e a prática. De um lado, argumenta dificuldades financeiras para dar reposição salarial aos policias e bombeiros militares (e demais servidores da segurança pública e de outras categorias). São 3 anos sem reajuste salarial!

“A situação é crítica e grave”, afirma Pinho Moreira.

Mas, por outro lado, esse mesmo governo realizou recentemente a contratação de 15 novos oficiais para o Corpo de Bombeiros Militar, com salários de cerca de R$ 15 mil mensais cada.

Do final de 2017 até agora, já foram 45 novos oficiais contratados somente no CBM. Quando, na verdade, o que faltam na Corporação são praças (soldados a subtenentes).

Para cada oficial é possível contratar 3 soldados, que são efetivamente os que executam o trabalho na linha de frente, e ainda sobra dinheiro. Estudo feito em 2017 pela Aprasc apontou que, nos últimos três anos, o número de praças caiu 10% enquanto o de oficiais aumentou 15%.

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Por Diogo Vargas
21/04/2018 - 08h00 - Atualizada em: 21/04/2018 - 12h01

 

As declarações do governador Eduardo Pinho Moreira de dificuldades financeiras e que não haverá reposição salarial este ano caíram como um caminhão de água fria sobre servidores da segurança pública. Movimentos de bastidores indicam um grau de insatisfação e não estão descartadas paralisações de serviços essenciais na área.

O quadro mais delicado envolve policiais militares. A Associação de Praças de SC (Aprasc) afirma que a categoria está há três anos sem reposição salarial. Líderes da entidade não abrem mão de reajuste, pois entendem que outras categorias – como a dos policiais civis – receberam benesses. Somente em perdas de inflação, o reajuste atingiria 13,8%, asseguram.

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– A fala do governo é contraditória, são números fictícios. A categoria está revoltada e ainda não sei qual vai ser o nível de enfrentamento – diz o presidente da Aprasc, Edson Fortuna.

A Aprasc tem assembléia geral marcada para terça-feira, na SC-401,em Florianópolis. Na segunda-feira, às 14h, participa de reunião no Centro Administrativo.

Seja qual for o caminho, ele exigirá habilidade e diálogo do governo, além de bom senso de ambos os lados. Pinho Moreira tem dito que a segurança é prioridade ao lado da saúde. A situação desoladora das finanças de Santa Catarina não poderia ser em pior momento. Isso porque depois de dois anos com índices recordes de homicídios na Capital e em Joinville, finalmente houve um trimestre alentador: a queda dos assassinatos de janeiro a março foi de quase 20%.

Nas ruas é evidente o efeito da mudança na gestão do comando da secretaria de Segurança e das polícias Civil e Militar com operações rotineiras. Mas as mobilizações de efetivo exigem empenho de recursos. Agora imagine se a polícia cruzar os braços e se aquartelar como o movimento de 2008 em Santa Catarina e recentemente em outros Estados? Na Polícia Civil há queixas de viaturas e computadores velhos e do racionamento de combustível, alerta a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol).

No sistema prisional, agentes penitenciários se dizem preocupados com o cumprimento das parcelas de reajustes salariais já firmados – restam três ainda até o ano que vem. A Associação dos Agentes afirma que haverá paralisação se os compromissos não forem honrados.

Sem recursos, resta saber quando a Secretaria da Justiça e Cidadania colocará em operação a nova penitenciária de segurança máxima, em São Cristóvão do Sul, com 130 vagas e pronta desde junho de 2016. Havia uma disposição de inaugurá-la somente com a criação de gratificações de risco aos agentes que trabalharão na unidade.

 

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